Ramos de Cultura

Por que a Beleza Importa – tudo é arte e nada é arte? (Parte 6)

(Cont) Roger Scrutton

Se olharmos para a historia da beleza ideal, veremos que filósofos e artistas tiveram boas razões para conectar o belo e o sagrado. E de ver nossa necessidade de beleza como algo profundo em nossa natureza. Parte de nossa necessidade de consolação, em um mundo de perigos, tristeza e sofrimento.

Êxtase de Santa Theresa - Gian Lorenzo Bernini

Êxtase de Santa Theresa – Gian Lorenzo Bernini

Hoje muitos artistas olham para o ideal de beleza com desdém e o substituíram por uma vã forma de viver, que não tem real conexão com o mundo que agora nos rodeia. Então houve um desejo de profanar as experiências do sexo e da morte, representando-as de forma trivial e impessoal, que destroem todo o senso de seu significado espiritual.

(Original) Goya - Los desastres de la guerra

(Original) Goya – Los desastres de la guerra

("copy") - Jack and Dinos Chapman - Disasters of War

(“copy”) – Jack and Dinos Chapman – Disasters of War

Assim como aqueles que abandonaram a religião têm necessidade de zombar da fé que perderam, assim também os artistas, hoje, sentem a necessidade de tratar a vida humana de maneira insignificativa e de zombar da busca pela beleza. Esta deliberada profanação é também a negação do amor, uma tentativa de refazer o mundo como se o amor não fizesse mais parte dele.

Martin Kippenberger - zuerst die füsse

Martin Kippenberger – zuerst die füsse

E isto, em minha opinião, é a principal característica da cultura pós-moderna, que é uma cultura sem amor, determinada a representar o mundo como não merecedor de ser amado. Claro que, este hábito de duelar com o lado negativo da vida humana não é novo.

Desde o inicio da nossa civilização, civilização esta tem sido uma das tarefas da arte: pegar o que é mais doloroso na condição humana, e redimi-la em uma obra de beleza. A arte tem a habilidade de redimir a vida, encontrando beleza até nos piores aspectos dela. “A Crucificação” de Mantegna, ao mostrar a mais feia e cruel das mortes, alcança um tipo de majestosidade e serenidade, que compensa o horror que mostra.

Calvário - Andrea Mantegna

Calvário – Andrea Mantegna

Em face à morte, os seres humanos ainda são capazes de mostrar nobreza, compaixão e dignidade. E a arte nos ajuda a aceitar isto, mostrando-a sobre tal perspectiva.

Leia: Por que a Beleza Importa – Parte 7 – Final

Documentário: Por que a Beleza Importa

Traduzido: Beatriz Angelim
Participação: Felipe Angelim

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