Ramos de Cultura

Da Arte Sacra ao Graffiti

Bem vamos ao um tema complexo de se falar que é a arte e ainda mais em estabelecer uma ponte entre a arte sacra de séculos servindo a uma liturgia  a uma arte podemos dizer que contemporânea que é  o graffitti e por enquanto efêmera e com poucas bases em sua estrutura, uma terra com poucas leis.

Artista: Rudi e House

Para início de conversa existe a arte religiosa e a arte sacra, como assim? Não são a mesma coisa? Não gente, também só fui saber quando recolhi material para esse post. Pode-se dizer que a arte religiosa :

“É aquela que reflete a vida religiosa do artista.  A virtude da religião tende a produzir no homem uma atitude substancialmente interna, de amor, submissão, de fé e esperança e, sobretudo, de adoração a Deus. A arte religiosa deve ter esta mesma finalidade e para que isso ocorra é necessário que a arte – conservando o característica intrínseca – se subordine ao fim da religião.”

Artista desconhecido

Já a arte sacra:

“É aquela arte religiosa que tem um destino de liturgia, isto é, aquela que se ordena a fomentar a vida litúrgica nos fiéis e que por isso não só deve conduzir a uma atitude religiosa genérica, mas há de ser apta a desencadear a atitude religiosa exigida pela Liturgia, quer dizer para o culto divino.”

Artistas: Rudi e House

Em miúdos podemos dizer a arte religiosa parte para o homem e arte sacra parte em direção a Deus. E onde o graffiti pode entrar nessa história? Atualmente o graffiti se encaixa em sua maioria a arte religiosa mas há registro de trabalho sacro-graffiti como este que ocorreu na Catalunha / Espanha, Igreja de Santa Eulália de Provençana.

O trabalho era incluir imagens da Virgem Maria, Jesus Cristo, a igreja padroeira Santa Eulália e uma família que simbolizava os fiéis do bairro operário

Imagens feitas com spray e alguns traços com pincéis

O reitor explicou:

“A Igreja, que sempre tentou ser moderno em formas de expressar a sua mensagem cristã, não pode parar de fazer isso. Isso pode atrair muitos jovens para nós.

“Se as pessoas não sabiam o mural foi feito por grafiteiros, em seguida, devido à qualidade dos desenhos e do tamanho das pinceladas (tão fino e perfeito), eles não sabem nada.

“A arte – seja graffiti, pinturas a óleo, aquarelas -. Bem, quando é bom que traz o melhor da humanidade”

E o que a Igreja fala a respeito das artes?
No documento Sacrosanctum Concilium tem um capítulo para um assunto tão importante, seria de bom colocar na íntegra pois não é muito grande mas ia ficar meio cansativo. A parte que se destina as artes é bem no fim  e segue o link do documento http://bit.ly/RBpBKZ , vou citar os principais pontos.

CAPÍTULO VII

A ARTE SACRA E AS ALFAIAS LITÚRGICAS

A arte sacra e seus estilos

122. Entre as mais nobres actividades do espírito humano estão, de pleno direito, as belas artes, e muito especialmente a arte religiosa e o seu mais alto cimo, que é a arte sacra. Elas tendem, por natureza, a exprimir de algum modo, nas obras saídas das mãos do homem, a infinita beleza de Deus, e estarão mais orientadas para o louvor e glória de Deus se não tiverem outro fim senão o de conduzir piamente e o mais eficazmente possível, através das suas obras, o espírito do homem até Deus.

A Igreja preocupou-se com muita solicitude em que as alfaias sagradas contribuissem para a dignidade e beleza do culto, aceitando no decorrer do tempo, na matéria, na forma e na ornamentação, as mudanças que o progresso técnico foi introduzindo.

123. A Igreja. nunca considerou um estilo como próprio seu, mas aceitou os estilos de todas as épocas, segundo a índole e condição dos povos e as exigências dos vários ritos, criando deste modo no decorrer dos séculos um tesouro artístico que deve ser conservado cuidadosamente. Seja também cultivada livremente ‘na Igreja a arte do nosso tempo, a arte de todos os povos e regiões, desde que sirva com a devida reverência e a devida honra às exigências dos edifícios e ritos sagrados. Assim poderá ela unir a sua voz ao admirável cântico de glória que grandes homens elevaram à fé católica em séculos passados.

127. Cuidem os Bispos de, por si ou por sacerdotes idóneos e que conheçam e amem a arte, imbuir os artistas do espírito da arte sacra e da sagrada Liturgia.

Recomenda-se também, para formar os artistas, a criação de Escolas ou Academias de arte sacra, onde parecer oportuno.

E o catecismo da Igreja católica onde está toda a doutrina diz:

§2502 A arte sacra é verdadeira e bela quando corresponde, por sua forma, à sua vocação própria: evocar e glorificar, na fé e na adoração, o Mistério transcendente de Deus, beleza excelsa invisível de verdade e amor, revelada em Cristo, “resplendor de sua glória, expressão de seu Ser” (Hb 1,3), em quem “habita corporalmente toda a plenitude da divindade” (Cl 2,9), beleza espiritual refletida na Santíssima Virgem Maria, Mãe de Deus, nos anjos santos. A arte sacra verdadeira leva o homem à adoração, à oração e ao amor de Deus Criador e Salvador, Santo e Santificador.

§2503 Por isso devem os bispos, por si ou por delegação, cuidar de promover a arte sacra, antiga e nova, sob todas as formas, e afastar, com o mesmo zelo religioso, da liturgia e dos edifícios do culto, tudo o que não harmoniza com a verdade da fé e a autêntica beleza da arte sacra.

§2513 As artes, mas sobretudo a arte sacra, têm em vista, “por natureza, exprimir de alguma forma nas obras humanas a beleza infinita de Deus e procuram aumentar seu louvor e sua glória na medida em que não tiverem outro propósito senão o de contribuir poderosamente para encaminhar os corações humanos a Deus.”

Então podemos ver que o graffitti tem um amplo espaço a trilhar na Igreja e alguns artistas já deram alguns passos no quesito arte religiosa, lembrando a todos que o graffitti ele é um estilo e uma técnica ao mesmo tempo.Uuma curiosidade: o Brasil é o único país que a pichação é separada do graffiti e a linha tênue entre os dois é nada mais que a autorização e para entender melhor esse assunto fica o artigo que fiz de entrada para esse post que foi o Pixação e Graffitti. A pixação mundo a fora seria o que chamam de tags.

Podemos ver alguns trabalhos feitos em Igreja ou nas ruas do Brasil e do mundo na temática religiosa de extrema qualidade.

Nossa senhora – artista: El mac

Nossa Senhora – El Mac and Retna

El Mac: Nascido em Los Angeles em 1980, para um engenheiro e um artista, Mac tem vindo a criar e estudar a arte de forma independente desde a infância. Ele foi inspirado em uma idade jovem por clássicos pintores europeus, como Caravaggio, Vermeer e simbolistas e Art Nouveau, como Klimt e Mucha. Este foi misturado com as influências mais contemporâneas de graffiti e fotorealismo, bem como quanto a cultura chicana & Mexican ele cresceu ao redor. Além desse trabalho tem outros que abordam a temática religiosa por exemplo: buda. Faz boa dupla com o graffiteiro Retna em muito de seus painéis.

São Miguel Arcanjo – Artista: Bleck le Rat

Blek le Rat:  é um dos mais importantes nomes do atual cenário da arte urbana. O francês é especialista no uso de stêncil, e como pioneiro – iniciou seu trabalho nas ruas de Paris, ainda na década de 80 – acabou influenciando toda uma geração de artistas que se apropriaram da técnica.

Jesus – Artista: C215

Artista C215

Artista desconhecido

Artista desconhecido

Artista desconhecido

Our lady of Grace / Nossa Senhora das Graças – Artistas: ASHOP

É um coletivo artista gerência situado no extremo leste de Montreal, com mais de 25 anos de experiência combinada em grafite e estética urbana. Enraizada na cultura do grafite, nossa equipe traz o estilo autêntico e único para cada trabalho encomendado ou projeto. Equipado com 2000 metros quadrados de espaço estúdio, oferecemos uma ampla gama de serviços e soluções artísticas, tais como grandes murais, performances ao vivo, arte da lona, e trabalho de design personalizado para clientes comerciais e particulares.

Artista desconhecido

Artista Desconhecido

O shape customizado não chega a ser graffiti mas é bem próximo da street art então vale a pena conferir!

Artisita desconhecido

Banksy

Apesar do Banksy não ter nada de católico mas até que este painel ficou bacana mas não se aplicaria de jeito nenhum a arte sacra.

São Miguel Arcanjo – Artista: Roberto Macedo Alves

São Miguel Arcanjo – Artista desconhecido

Nossa Senhora de Fátima – artista: Pakato / Brasil – RJ

Nossa Senhora de Fátima e Rei Jesus – artista: Pakato / Brasil-RJ

Rei dos Reis – Artista: Akuma Brasil / Niterói

São Francisco de Assis – Artista: Akuma / BRASIL-Niterói

São Jorge – Artista desconhecido / Brasil – RJ

Em Minas Gerais grafiteiro surpreende fiéis com o seu trabalho .

Fiéis da Paróquia dos Sagrados Corações, mais conhecida como Igreja do Padre Eustáquio, tiveram uma surpresa na celebração da Páscoa, no sábado de aleluia. No momento em que se abriram as cortinas do altar, em meio à fumaça e aos refletores, surgiu a imagem de Jesus Cristo ressuscitado dentro de um céu azul celeste, realçado por efeito tridimensional criado pelo jogo de luzes e tintas. Segundo paroquianos, muitos não conseguiram segurar a emoção e chegaram às lágrimas diante da beleza da nova pintura do altar-mor.

Altar da Igreja Sagrado Coração de Jesus

 Rafael sentiu-se tão tocado pela experiência que decidiu abandonar a assinatura de Nev, alcunha que usava nas ruas como a abreviatura de never (nunca, em inglês). Assumiu o nome de batismo, por inteiro. Nem se lembrou que Rafael foi um dos três maiores nomes do Renascimento, ao lado de Michelângelo e Leonardo da Vinci. “É bem verdade que os maiores artistas do mundo tiveram seus trabalhos relacionados à Igreja”, recordou o jovem, sem modéstia. Rafael Costa faz o gênero free style, que no grafite significa livre, sem amarras.

Rafael em ação.

A matéria na íntrega está aqui: http://bit.ly/X5YQUX

E para encerrar este artigo, cito este trabalho que foi realizado em uma Igreja da Alemanha que sem ajuda dos fiéis não teria acontecido para a Glória de Deus pois muito mais que o graffiti foi o exemplo de reaver o templo do Senhor.
Quando uma igreja relativamente nova, construída em 1961 caiu em desuso, a diocese de Freiburg, na Alemanha decidiu vendê-lo para usos profanos em 2005. Mas os paroquianos tinha outras idéias e recolhido dinheiro suficiente para uma renovação completa. Tudo o que estava faltando era uma obra para embelezar a nave.

Nossa Senhora com o Menino Jesus. A Virgem está
vestida com roupas típicas desta zona da Alemanha. Artista desconhecido

Em 2005, a diocese de Freiburg im Breisgau decidiu vender a igreja como o custo de reparos e restauração eram demasiado elevados. Tendo sido construído em 1961, mostrou todas as características de edifícios desse período, era feio, monótono, e shoddily construído. Mas paroquianos em Goldscheuer iniciou uma campanha para salvar a sua igreja e em 2010 foram coletados os fundos necessários para trazer a igreja de volta em uso.

Nossa Senhora com o menino Jesus

Tão longe, tão espartano. Mas, então, a paróquia recebeu uma oferta de Stefan Strumbel para embelezar o interior da igreja com suas obras. Strumbel é um artista que vive em Offenburg nas proximidades e seu nome pode soar um sino com os leitores do New York Times, que publicou uma história em casa sobre o artista. A coisa interessante sobre o trabalho Strumbel é que ele faz graffiti. Sua proposta foi a arte de rua ir à igreja.

processo de trabalho

Surpreendentemente, os paroquianos, o conselho da aldeia, eo bispo não só aprovou a idéia, ficaram entusiasmados com isso, em tempo recorde, seu projeto foi aprovado ea igreja está agora aberto ao público, incluindo um conjunto completo de arte do graffiti embelezando o seu interior . Para alguém interessado em arte moderna e graffiti, que é a deve ver.

nave da Igreja

Strumbel até citou linguagem artística tradicional igreja em garbing seu 6m (20 pés) Madonna com a Criança em trajes local. Raios-de-rosa que emanam de Jesus inunde a igreja, e as bolhas cartunista fala são vazio e pronto para receber as orações da congregação.
Goldscheuer pode ser alcançado em menos de 30 minutos de carro de Estrasburgo, na França, Offenburg, e im Breisgau Freiburg ambos na Alemanha, e em cerca de uma hora de Mulhouse, na França e na Basileia, na Suíça.

Bibliografia:

http://bit.ly/QF4M4q

http://bit.ly/ZpmiuB

http://bit.ly/SlrvOc

http://bit.ly/RBpBKZ

http://bit.ly/X5Mts6

http://bit.ly/ZG2Mt4

http://bit.ly/SlOU24

http://bit.ly/UFBz5d

http://bit.ly/X5YQUX

http://bit.ly/ZG2Dpu

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5 opiniões sobre “Da Arte Sacra ao Graffiti

  1. Muito bacana o apanhado de imagens e as informações.
    Agora, a pintura “Nossa Senhora das Graças”, de ASHOP, não tem nada de católico. Eles pegaram o nome e, literalmente, dessacralizaram. Basta notar a ausência de motivos cristãos e a roupa “reveladora” que puseram na moça. É um trabalho bonito, mas não deveria ter o nome que recebeu.

    abç

  2. Valeu meu amigo, estava esperando seu comentário como sempre construtivo, é essa imagem eu fiquei meio na dúvida 😦 . Acredito eu que faltou a Igreja ter acompanhado mais de perto esse trabalho, pois geralmente esses artistas são do meio secular. É o que a doutrina da Igreja diz: incentivar, dá formação e acompanhar o trabalho. No caso o trabalho não foi sacro 😥 e sim religioso.

  3. Pingback: Meus Ramos de Cultura em 2012 «

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