Ramos de Cultura

Pixação X Graffiti

Cultura, Arte e Vandalismo?

Bem meus caros esse é um post de entrada para um artigo futuro que ainda estou compilando e concatenando ideias, teorias e teses, já adianto que é sobre Arte Sacra e o Graffiti. Então resolvi escrever este para esclarecer algumas dúvidas e preconceitos e é claro discutir sobre assunto bem tenso e polêmico.

Qual a diferença entre a Pichação e o Graffiti?

O movimento da Pichação que parece ser tão desordenado mas como toda a humanidade caminha sempre na sociabilidade e nesse meio há indivíduos com mesmo ideias por mais loucos que sejam e tem suas características regionais. vou dar uma pincelada. Nesse quesito podemos destacar o movimento PIXO de São Paulo que se espalhou por todo Brasil, tem como principal características o TAG PIXO RETO são  letras grandes e retas onde os sociólogos dizem espelhar a arquitetura da Cidade da Garoa com seus prédios e arranha-céus e no Rio de Janeiro existe o movimento XARPI que significa PIXAR, para driblar as pessoas há essa inversão das sílabas, o xarpi carioca é mais restrito só ao estado do Rio de Janeiro com um tom mais harmônico que se preza a estética de uma assinatura registrada na cidade, bem menor e repetida vezes. Eu acompanho a cena do Xarpi carioca e a cada dia você se depara com algo novo na cidade uns chamam de enfeite, arte.. outros de sujeira. poluição visual, crime. Crime de fato é :

Art. 163 – Destruir, inutilizar ou deteriorar coisa alheia:

Pena – detenção, de 1 (um) a 6 (seis) meses, ou multa.

Art. 65. Molestar alguem ou perturbar-lhe a tranquilidade, por acinte ou por motivo reprovavel:

Pena – prisão simples, de quinze dias a dois meses, ou multa, de duzentos mil réis a dois contos de réis.

Seguem alguns vídeos sobre pichação
PIXO (SP)
Segue esse clipe do músico Ogi que retrata bem o movimento em SP
Inclusive essa semana saiu um filme bem polêmico de marcas se envolvendo com a pixação
Xarpi (RJ)

Dentro desses movimentos existes grupos que formam uma sigla, corporação, grife…e existem as categorias que posso dizer dos “pontos midiáticos” onde o nome foi aplicado: beiral,baixo (muro), janela, ferrugem, chapa (portão), chapisco, eterno (pedras), escalada, corda… reuniões semanais, festas inclusive existe uns documentários tanto de São Paulo quanto do Rio que já foram exibidos até fora do Brasil…Porém internamente é visível que é uma galera sem estudo a margem da sociedade buscando status nesse círculo social que estão inserido, adrenalina e aventura (essas coisas que a juventude insiste em buscar, se achando os anti-heróis revolucionários vulgo rebeldes sem causa e a vontade de preencher o vazio existencial).No fundo movimento da pichação e até mesmo exponenciais da arte contemporânea para mim fazem tudo parte da Contracultura e a desconstrução da arte, fico me perguntando se chamo ou não chamo de arte, acabo por chamar a pichação de movimento artístico efêmero, feito na correria, uma tábua rasa e com a conotação de rebeldes sem causa que é apreciada por uma minoria e como os próprios pixadores falam que é algo selvagem com uma linguagem interna o “de nós para nós”, não domesticável ao contrário do Grafitti.

PIXO RETO (SP)

XARPI CARIOCA

“Contracultura é um movimento que teve seu auge na década de 60 quando teve lugar um estilo de mobilização e contestação social e utilizando novos meios de comunicação em massa. Jovens inovando estilos, voltando-se mais para o anti-social aos olhos das famílias mais conservadoras, com um espírito mais libertário, resumido como uma cultura underground, cultura alternativa ou cultura marginal, focada principalmente nas transformações da consciência, dos valores e do comportamento, na busca de outros espaços e novos canais de expressão para o indivíduo e pequenas realidades do cotidiano, embora o movimento Hippie, que representa esse auge, almejasse a transformação da sociedade como um todo, através da tomada de consciência, da mudança de atitude e do protesto político.”

“A contracultura pode ser definida como um ideário altercador que questiona valores centrais vigentes e instituídos na cultura ocidental. Justamente por causa disso, são pessoas que costumam se excluir socialmente e algumas que se negam a se adaptarem às visões aceitas pelo mundo. Com o vultoso crescimento dos meios de comunicação, a difusão de normas, valores, gostos e padrões de comportamento se libertavam das amarras tradicionais e locais – como a religiosa e a familiar -, ganhando uma dimensão mais universal e aproximando a juventude de todo o globo, de uma maior integração cultural e humana. Destarte, a contracultura desenvolveu-se na América Latina, Europa e principalmente nos EUA onde as pessoas buscavam valores novos.”

Vamos ao Graffiti!

Como diz a cartilha o graffiti nasceu na pichação e tem até um jargão usado no meio “Nós somos de uma geração que transformou o vandalismo em arte”. Uns irão dizer que esta frase está corretíssima outros não vão concordar pois apesar de semelhantes, de serem culturas de rua são movimentos distintos mas é verdade o graffiti nasceu sim da pichação americana. Para esclarecer um graffiti por mais belo que seja pode ser muito bem um ato de vandalismo como dito lá em cima, a linha tênue entre o graffiti e a pichação nada mais é que a autorização, vide o queridinho do mundo Banksy com seus ótimos graffitis porém tudo ato de vandalismo.

Banksy

O graffiti assim como a pixação tem suas categorias: Vandal (vandalismo), bomber, personagens, stencil, wild style, throw up, 3D… e outros. Geralmente organizados em Crew (galera) seria semelhante as siglas do Xarpi.

O Grafiiti vem cada dia ganhando mais espaço no cenário artístico mundial tornando se fonte de renda e a volta dos valores artísticos perdido com a contra cultura. O graffiti agora já percorre galerias de arte ao redor do mundo. O interessante que dentro do seu próprio meio há divergências como por exemplo: Existem grafiiteiros que dizem graffiti é aquele que é feito na rua e o que vai para galeria é street art por se tornar algo “cult”. O Graffiti vejo como um filho digamos que “rebelde” da contracultura que ao enxergar a verdade foi logo se encontrar. O graffiti além de ser movimento  e estilo artístico também é uma técnica que tem por principal meio de execução o spray. A técnica graffiti pode muito bem criar algo no estilo renascentista, barroco, clássico… Segue um link com os mais variados estilos de graffiti: http://on.fb.me/VjIfe6  

E quando o Xarpi e o Graffiti se encontram? Há um respeito mútuo, a lei da rua é sempre união!

Agora o que a Igreja tem a dizer sobre as artes, o que o graffiti pode acrescentar na arte religiosa só no próximo post 😉
Ah caso achem que ficou meio raso comentem que eu escrevo outro mais redondo, mas o próximo sobre arte sacra virá bem completo!

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10 opiniões sobre “Pixação X Graffiti

  1. Bacana a explanação. É injusto chamar graffiti de pichação.
    Agora: ainda que a igreja não condene a composição da pichação, tecnicamente falando, é melhor que não seja adotada. Afinal, quanto mais excelsa puder ser a arte, em louvor a Deus, melhor.
    abç

  2. Ah com certeza a pichação não cabe na arte sacra ou religiosa pois digamos que seja uma “arte” rasa e limitada e como foi dito no post é contracultura ou seja está para desmantelar o que foi feito seria mais ou menos o que dizia Chico Science “o que andam organizando eu posso desorganizar” e pegando incejo sovre música, acredito que expressões “artísticas” musicais também segue forte esse caminho da contracultura vide o Funk Carioca e o pior de tudo depois dessas perdas dos valores morais, éticos e principamente Cristãos é ver o mundo buscar uma aceitação, uma mobilização de remenddar uma colcha com retalhos refiro a toda arte que a contracultura fez questão de pertubar.

    Já o graffiti está galgando seu espaço no mundo artístico e aos poucos a sua afirmação e reconhecimento estão solidificados por artistas cada dia mais empenhados.

  3. E Pixo mesmo e rabisco quem é contra ?

  4. Muito maneira a exposição das vertentes do movimento de artes na rua.
    Tive um seminário ontem na facul em que foi posto, após a leitura deste artigo, de modo surpeficial as ideias do graffiti, mas ainda assim me apaixonei e agora reafirmo este querer(!!!)

    E fico no aguardo das ideias de como a igreja pode assimilar as propostas do graffiti e usá-las para louvor do Nosso Senhor e Deus.

    Na fé e oração por uma vida sadia e fora da caixinha,

    +Cranudo

  5. Pingback: Da Arte Sacra ao Graffiti «

  6. Ele acaba sendo influenciado por pixos que ele vê na infância, no correr de sua formação de rua.E automaticamente alguém que tenta copiar outro acaba não copiando porque acaba criando um estilo parecido, que acaba sendo único também. E questão de estética, como é o estudo técnico de um pichador?

    • Bem, não possui um estudo técnico e como disse Behavior o “o homem é resultado do meio que está inserido”, ele sofre estímulos de amigos, pichadores e busca responder as vezes com algo parecido como acontece em ou co algo bem diferente para não ser confundido. E como a pichação é uma assinatura urbana ela com o tempo sofre umas alterações e evoluções devido a habilidade que vai sendo adquirida com o tempo.

  7. Um comentário um pouco atrasado o meu. heheh Discordo de alguns pontos aplicados por vc aqui, mas achei o artigo ótimo e bem embasado. Mostra que vc sabe do que tá falando. Abraço.

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